
Publicado em 08/02/13 17:22 Atualizado em 08/02/13 18:13
Famosos apoiam campanha online para conseguir impeachment de Renan Calheiros

Renan Calheiros, presidente do Senado Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
O brasileiro tem fama de ser um povo pouco politizado. Porém, nos últimos dois dias, a política anda movimentando a comunidade online. Os internautas estão utilizando o site Avaaz – uma plataforma de mobilização social - para conseguir o impeachment do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Artistas e humoristas também entraram na campanha, divulgando a petição, que já conta com mais de um milhão de assinaturas.
Marco Luque e Felipe Andreoli, do CQC, são alguns dos que estão incentivando a campanha no Twitter. O ator Bernardo Falcone, que interpretou Téo, em “Rebelde”, também apoiou a causa em sua conta na rede social.

Foto: Internet / Reprodução

Foto: Internet / Reprodução
Para ser enviado ao Senado e à Presidência da República, o abaixo-assinado precisa de pelo menos 1,3 milhão de assinaturas – esse número é referente a 1% do eleitorado brasileiro, a quantidade de pessoas exigida para passar projetos oriundos de iniciativa popular.
Gurgel admite investigação sobre Lula
Procurador-geral da República enviará depoimento de Valério sobre Lula ao MPF de primeiro grau
30 de janeiro, 2013
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai enviar nos próximos dias ao Ministério Público Federal de primeiro grau trechos do depoimento do operador do mensalão, Marcos Valério, segundo o qual recursos do esquema foram usados para pagar despesas pessoais do ex-presidente Lula.
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O anúncio foi feito por Gurgel nesta terça-feira, 29. No início de janeiro, essa informação chegou a ser divulgada pela imprensa, mas descartada pela assessoria da Procuradoria Geral da República no mesmo dia. Na época, o órgão disse que não havia “qualquer decisão em relação a uma possível investigação do caso”.
Roberto Gurgel ressaltou nesta terça que não deve encaminhar qualquer orientação ao procurador da República responsável por analisar as acusações de Valério contra Lula. “Qualquer juízo que eu fizesse seria indevido e até uma interferência indébita na atuação do colega”, disse.

Candidato à OAB pediu autorização para plantar soja em fazenda no Piauí
MARIO CESAR CARVALHO
GITÂNIO FORTES
DE SÃO PAULO
O candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcus Vinicius Furtado Coêlho entrou com um pedido de desmatamento de uma fazenda no Piauí em nome do seu escritório, na qual ele declarou a finalidade de plantar soja.
Furtado Coêlho é o favorito nas eleições nacionais da OAB, que ocorrem amanhã. Ele disputa a presidência com Alberto de Paula Machado.
O pedido para plantar soja, segundo algumas interpretações, entra em conflito com a lei federal 8.906, de 1994, que criou o estatuto da OAB.
O artigo 17 desse estatuto diz que os escritórios não podem realizar "atividades estranhas à advocacia".
Eles podem até ser donos de fazenda, mas teriam de terceirizar as atividades agrícolas para não ferir a lei.
O objetivo é evitar que o acúmulo ilegal de funções e a captação irregular de clientes. Um exemplo: um advogado dono de imobiliária teria mais facilidade do que seus pares de ter clientes na área. O artigo tem também a intenção de evitar conflitos de interesses.
PARA VALORIZAR
Furtado Coêlho confirma que fez o pedido para desmatar e plantar soja, mas diz que não violou a lei porque não tinha intenção de explorar a fazenda. Ele afirma que recebeu a área em pagamento por uma ação que visava retirar posseiros da área.
O pedido de desmatamento foi assinado pelo próprio advogado em janeiro de 2011 em documento à Secretaria de Meio Ambiente do Piauí.
O pedido foi aceito, mas, segundo Coêlho, não houve o desmate. A ideia de obter a licença, diz, visava valorizar a área. A fazenda de 2.400 hectares fica no município de Baixa Grande do Ribeiro, a mais de 400 km de Teresina.
Coêlho também é acusado pelo agricultor Manoel Correa de Souza de ter tomado dele uma fazenda de cerca de 2.000 hectares nesse município, como consta de processo administrativo no Instituto de Terras do Piauí.
Correa de Souza relata que o escritório foi contratado para regularizar a área e, no fim do processo, ficou com a fazenda. Furtado Coêlho afirma que nunca teve cliente com esse nome.
Na quinta-feira passada a Folha revelou que o candidato é réu num processo por improbidade. O advogado é acusado de ter recebido R$ 42,3 mil de uma prefeitura do Piauí sem ter prestados serviços --o que ele nega.
OUTRO LADO
O candidato à presidência da OAB Marcus Vinicius Furtado Coêlho afirmou que a área agrícola de 2.400 hectares no município de Baixa Grande do Ribeiro (PI) foi recebida "como pagamento de honorários advocatícios".
A oferta de bens imóveis não caracteriza irregularidade, afirmou o advogado: "Tanto é que o mesmo [terreno] consta da declaração de bens do escritório [Furtado Coêlho Consultoria e Processos] junto ao Fisco".
Para Coêlho, "terra não é objeto de exploração mercantil". Portanto, na sua opinião, não há qualquer constrangimento legal.
De acordo com ele, não está nos planos do escritório o desmatamento da área, apesar do pedido feito para o governo do Piauí. "Solicitei e foi deferida a licença ambiental da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí (Semar), procedimento corriqueiro para quem deseja que a propriedade seja considerada perfeitamente regular".
Vale tudo eleitoral
Acusações e acordos quebrados marcam eleição da OAB
Por Rodrigo Haidar
Distribuição de dossiês, histórias contadas pela metade, denúncias sem comprovação das irregularidades apontadas, vídeos apócrifos, rompimento de acordos e traições — muitas traições. Esse é o recheio das eleições para o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que reproduz as mesmas práticas da disputa política tradicional.
Depois de 15 anos em que os presidentes foram eleitos por meio de chapa única, sem disputa, os 81 advogados que formam o Conselho Federal irão escolher, na quinta-feira (31/1), quem dirigirá a entidade nos próximos três anos: Marcus Vinícius Furtado Coêlho (leia entrevista com o candidato) ou Alberto de Paula Machado (leia entrevista com o candidato). O eleito terá a missão de representar quase 800 mil advogados espalhados pelo país e gerir um orçamento de cerca de R$ 30 milhões anuais.
A disputa atual descortina, pela primeira vez, o jogo pesado da luta pela Presidência da OAB. Em detrimento do debate de ideias, princípio brandido pela entidade que esteve à frente da campanha de aprovação da Lei Complementar 135/10, a Lei da Ficha Limpa, prevalece a transparência do xadrez político.
Coêlho, atual secretário-geral da OAB, e Machado, vice-presidente, vinham trabalhando suas candidaturas desde o início de 2012. No começo de dezembro, feitas as contas, 16 seccionais apoiavam o primeiro e 11 seccionais encampavam a candidatura do segundo. O apoio a Furtado Coêlho ensaiava ganhar força. Havia um namoro com estados que, até ali, apoiavam Paula Machado. Diante do quadro, os dois grupos passaram a conversar sobre um acordo. O grupo de Machado afirma que Coêlho o procurou. Já o de Coêlho diz que foi procurado para o acordo.
Fato é que o ex-presidente da OAB, Cezar Britto, mesmo a contragosto, acabou encarregado de fazer a ponte entre os dois grupos. Reuniu os candidatos e alguns de seus apoiadores na sede do Conselho Federal da OAB, na sala de Alberto de Paula Machado. Começava a segunda quinzena de dezembro.
Furtado Coêlho foi à reunião acompanhado dos advogados Luiz Cláudio Allemand, conselheiro federal pelo estado do Espírito Santo, e Felipe Sarmento Cordeiro, conselheiro por Alagoas. Da turma de Machado, além de Cezar Britto, estavam presentes Miguel Cançado, atual tesoureiro e candidato a vice-presidente, e Wadih Damous, ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro eleito conselheiro federal para o triênio 2013/2016.
Apesar do favoritismo de Coêlho, seus adversários jogaram alto. Machado retiraria a candidatura se o secretário-geral aceitasse acolher três nomes indicados por ele para sua diretoria e desse ao grupo a Presidência da Comissão Nacional de Direitos Humanos. A diretoria da OAB é composta por cinco advogados. Trocando em miúdos, o candidato que liderava a disputa teria de se contentar em escolher apenas seu vice-presidente — escolheu Cláudio Lamachia, ex-presidente da OAB gaúcha.
Coêlho perguntou quais eram os nomes. O grupo adversário não queria revelar. Até que Wadih Damous achou justo dizer ao menos quais eram os indicados para tentar ajustar o acordo que viabilizaria a chapa única. Os nomes foram colocados: o advogado fluminense Cláudio Pereira de Souza Neto para o cargo de secretário-geral, Cláudio Stábille Ribeiro, ex-presidente da OAB de Mato Grosso, para secretário-geral adjunto e Antônio Oneildo Ferreira, ex-presidente da seccional de Roraima, como tesoureiro.
O secretário-geral da Ordem deixou a sala para conversar com seu grupo. Duas horas depois voltou à mesa, disse que concordava com os nomes e o acordo foi fechado. A seccional de São Paulo, que há 15 anos figurava em todas as diretorias, estrilou. Rompeu com Coêlho e passou a atacá-lo por ter perdido a hegemonia da região sudeste para o Rio de Janeiro. Desde a primeira hora, teve o apoio do conselheiro Siqueira Castro, magoado por não ter sido ele o escolhido para compor a diretoria como representante da seccional fluminense. E também do Acre, porque o então presidente, Florindo Silvestre Poersch, conhecido como “Barão”, exigia a tesouraria nacional.
Jogo midiático
Marcus Vinícius Furtado Coêlho registrou sua chapa no dia 21 de dezembro com os nomes que foram definidos na reunião entre os dois grupos. Com isso, obteve o apoio de 22 seccionais. Mas Alberto de Paula Machado, provocado principalmente pelas seccionais de São Paulo, do Acre, e pelo ex-presidente nacional Roberto Busato, seu principal cabo eleitoral, avisou que mantinha a candidatura. Em outras palavras, o acordo estava rompido.
Conversando com a reportagem da revista Consultor Jurídico, um advogado que apoiou Machado desde o primeiro momento, mas discordou da quebra do acordo, classificou o ato como uma loucura: “Ele qualificou a chapa do Marcus Vinícius e, depois, insistiu em enfrentá-la. Ou seja, deu munição ao adversário para guerrear com ele em seguida”. Machado registrou a chapa no dia 31 de dezembro, no último dia de prazo para o registro.
As eleições para o Conselho Federal da Ordem são congressuais. Votam os 81 conselheiros federais eleitos. A maioria vota de acordo com a orientação de suas bancadas. Claro, há dissidências. Mas não costumam ser frequentes, nem numerosas. Com 22 seccionais apoiando Coêlho, era natural se falar até num consenso na reta final, como historicamente ocorre nas sucessões da entidade quando há, de fato, disputa. Mas os sinais que chegavam de São Paulo indicavam que o jogo dali para frente seria pesado. “Vamos acabar com você na imprensa”, foi o recado que um interlocutor de Coêlho garante ter ouvido.
Atacando Coêlho seria possível virar alguns votos ou, no mínimo, fazê-lo começar a gestão como um bombeiro a apagar incêndios. A primeira ação foi vazar dados de uma acusação por improbidade a que Coêlho responde no Piauí e tentar vinculá-lo à imagem do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de quem já foi advogado. Os fatos: o Ministério Público do Piauí promoveu uma ação criminal e outra cível contra Coêlho, com a acusação de ter sido contratado sem licitação pela prefeitura de Antônio Almeida, cidade do interior piauiense, e não ter prestado serviços. No total, o advogado recebeu R$ 42 mil da prefeitura.
O secretário-geral reagiu apresentando uma certidão que demonstra que ele representa o município em ações judiciais. E sustentou que a Justiça, em diversas ocasiões, já decidiu que a contratação de escritórios sem licitação não é ato de improbidade, por conta da especificidade dos serviços. A ação penal foi arquivada e a ação cível que está em andamento cumpre formalidade processual para ter mesmo destino.
A partir daí, o fogo cruzou. Foi revelado, por exemplo, que o advogado Ercílio Bezerra, candidato ao cargo de tesoureiro pela chapa de Machado, também responde a ação por improbidade administrativa na Justiça de Tocantins. O MP acusa o advogado de estar envolvido em um esquema de desvio de recursos públicos da ordem de R$ 1 milhão. Também por ter sido contratado sem licitação.
Internamente, as acusações contra os dois não surtem qualquer efeito. Isso porque a própria OAB possui posição favorável a esse tipo de contrato. Já se decidiu algumas vezes na entidade que advogado tem é que ser contratado sem licitação mesmo, por conta da necessária relação de confiança e da crença de que a advocacia não tem caráter meramente mercantil. Publicou-se também que Alberto Machado foi avalista de um convênio com o governo do Paraná que beneficiou a seccional local com verbas milionárias para serviços de assistência judiciária. A assistência prestada pela OAB, historicamente, atrapalha planos de implantação real da Defensoria Pública nos estados.
O convênio paranaense, assinado em 2010 com o então governador Roberto Requião (PMDB) e mantido pelo atual governante, Beto Richa (PSDB), prevê repasses de R$ 65 milhões em cinco anos. Dinheiro do estado para a Ordem do Paraná. Em declaração ao site do Conselho Federal da OAB, Machado justificou o convênio dizendo que enquanto não existir a Defensoria Pública bem estruturada o convênio é necessário para que a população carente não fique desassistida.
Debate relâmpago
Às notícias, seguiu-se incessante troca de acusações que refletia as batalhas travadas há algum tempo por meio de mensagens de e-mails de membros da OAB. Alguns advogados acusam Coêlho de querer fugir de um debate antes da votação do dia 31. Outros dizem que o presidente da OAB, Ophir Cavalcante Junior, inventou o debate para tumultuar a sucessão que não conseguiu comandar, já que apoia Alberto de Paula Machado, mas evita dizer isso publicamente.
Ophir enviou ofício aos dois candidatos propondo um debate no dia das eleições, horas antes da votação. O grupo de Coêlho identifica no convite um ardil para transformar a sessão em uma arena de vale tudo. A ideia de debate não está prevista no Estatuto da OAB, que fixa somente a realização de uma sessão de votação presidida pelo decano dos conselheiros federais — no caso, o advogado Paulo Roberto de Gouveia Medina, de Minas Gerais.
O grupo de Coêlho estranhou o fato de a proposta de debate ter surgido depois de Ophir voltar da posse do advogado Juliano Breda, no Paraná. A seccional apoia Machado. Estava na posse o ex-presidente Roberto Busato, que embora seja catarinense de nascimento é radicado no interior paranaense e é tido como um dos principais fomentadores do rompimento do acordo. Seus adversários dizem que Busato teme perder um bom naco de poder que ainda mantém e sonha com o cargo de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça. A vitória de Coêlho fulminaria suas pretensões, ainda mais depois do acirramento da disputa.
Ainda não se sabe se haverá o debate. Dependerá da condução do decano Medina, conhecido por ser austero e cumpridor dos regulamentos da OAB. Coêlho disse estar aberto a qualquer debate que seja feito por meio da imprensa ou em um local neutro, com a mediação de um jornalista. Mas não concorda com uma espécie de sabatina. Machado afirma que não se trata de sabatina, mas de dar aos conselheiros uma chance de conhecer com mais detalhes as propostas dos candidatos para que seja feita a melhor escolha.
Em um dos muitos e-mails que conselheiros trocaram entre si, o advogado Aldemário Araújo Castro, eleito conselheiro federal pela OAB-DF, escreveu que “não é aconselhável a definição de regras para o pleito do dia 31 de janeiro de 2013, no âmbito do Conselho Federal da OAB, com dias, horas, talvez minutos, de antecedência do referido debate eleitoral”.
Castro frisou que o presidente não teria sequer competência para propor o debate. Na avaliação de muitos conselheiros eleitos, Ophir não preside o atual conselho que tomará posse no dia 31 de janeiro e que escolherá o próximo presidente. Corrobora isso, na visão da maioria, o fato de a sessão ser presidida pelo decano. Ou seja, Ophir deveria submergir em favor da lisura do processo eleitoral em vez de tentar promover uma “quartelada”, como um dos e-mails descreveu a ideia do debate.
Já em outro e-mail, o advogado Florindo Silvestre Poersch, o “Barão”, preterido no acordo fechado e depois rompido, defende o debate: “Teríamos a oportunidade de ver, dentre os candidatos, aquele que tem, realmente, um projeto pessoal de poder e diferenciá-lo daquele que tem um projeto para administrar nossa instituição nos próximos três anos”.
A bancada de São Paulo também saiu em defesa do debate. No caso dos paulistas, a mágoa em relação ao acordo fechado por Coêlho com o grupo de Machado foi demonstrada em mensagem da atual secretária-geral adjunta, Márcia Regina Machado Melaré: “A OAB/SP possui, praticamente, metade da advocacia nacional inscrita em seus quadros. Porém, essa valorosa advocacia bandeirante foi achincalhada pelo candidato Marcus Vinicius Furtado Coêlho que, simplesmente, ao apagar das luzes, chutou-a para escanteio no trâmite sucessório do CFOAB, em curso”.
Márcia Melaré, que teve atuação discreta na atual gestão e tinha a pretensão de ser vice-presidente ou secretária-geral de Coêlho, é filha do ex-presidente nacional Rubens Approbato Machado, seu principal cabo eleitoral. A avaliação que se faz, no caso de São Paulo, é a de que, como Roberto Busato, Approbato quer manter poder, principalmente em relação ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva. A OAB responde pela indicação de dois juízes do tribunal.
Quem é habituado aos embates internos da OAB avalia que a situação chegou a esse ponto nas eleições pela falta de ação do presidente, Ophir Cavalcante Junior. Tradicionalmente, é o presidente quem conduz as disputas internas que antecedem as sucessões e consegue amenizar as paixões que elas envolvem. Desta vez, isso não aconteceu.
Disputa para Conselho Nacional da OAB revela guerra nos bastidores
Um dos candidatos é réu em processo de improbidade administrativa
Sérgio Roxo
SÃO PAULO — Uma guerra de bastidores marca a primeira disputa eleitoral pela direção do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em mais de 15 anos. Partidários das duas candidaturas têm protagonizado uma intensa troca de acusações, com denúncias de desrespeito a acordos firmados e de cooptação de eleitores.
Nas últimas cinco eleições, houve candidato único. Na disputa deste ano, marcada para o dia 31, vão concorrer Marcus Vinicius Furtado Coelho (Piauí) e Alberto de Paula Machado (Paraná). A eleição não é direta. Votam apenas os 81 conselheiros, que representam os 26 estados do país e o Distrito Federal. O escolhido não receberá salário, mas administrará um orçamento anual de R$ 30 milhões e será o representante máximo dos cerca de 750 mil advogados do país por três anos.
A disputa esquentou no final de dezembro, quando o conselheiro federal pelo Rio Carlos Roberto Siqueira Castro, inicialmente apoiador de Furtado Coelho, divulgou aos seus colegas uma carta em que relatava ter sido procurado pelo também conselheiro Cláudio Pereira de Souza Neto, na época partidário de Machado. Souza Neto, de acordo com o relato de Siqueira Castro, chamou o candidato do Piauí de “mentiroso, mau caráter e delinquente”. Teria dito ainda ter um dossiê com denúncias contra o Furtado Coelho e o acusou de responder a processo por improbidade administrativa movido pelo Ministério Público do Piauí. Souza Neto também teria acusado a empresa de telefonia Oi de estar agindo pela eleição do piauiense e ameaçando romper contratos com escritórios de advocacia que não embarcassem na candidatura. O apoio faria parte de um acordo para indicar o diretor jurídico da Oi, Eurico Teles, para ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pela OAB, uma vez que a entidade tem a prerrogativa de apresentar nomes para uma parte das vagas que são abertas na Corte.
Siqueira Castro contou que resolveu levar as denúncias a público quando soube que Souza Neto havia ingressado na chapa do candidato que teria denunciado como secretário-geral.
— Não podemos reproduzir na OAB a prática de mensalões para formar alianças políticas a qualquer custo, com desapreço a valores da ética e do espírito democrático republicano — justificou Siqueira Castro.
— Não falei isso. É mentira — rebateu Souza Neto, que acusa o colega de ter inventado o conteúdo da conversa porque queria integrar a chapa que disputaria o Conselho Nacional.
— É uma especulação, mas acho que ele não ficou satisfeito porque foi preterido na escolha do nome do Rio de Janeiro que seria indicado para compor a chapa.
Furtado Coelho realmente é réu em um processo de improbidade administrativa que corre na Justiça do Piauí por causa de um contrato com a prefeitura de Antônio Almeida, no interior do estado. O Ministério Público diz que Furtado Coelho não chegou a prestar serviço para a administração local. A sua contratação teria sido simulada para que ele defendesse, de fato, o prefeito Alcebíades Borges do Rego (PSDB) em um processo por compra de votos na eleição de 2008. Rego acabou cassado em 2011. Os bens do escritório de Furtado Coelho chegaram ser bloqueados pela Justiça para garantir o ressarcimento dos prejuízos prestados, mas a decisão foi derrubada em um segundo recurso apresentado no Tribunal de Justiça.
O candidato do Piauí é uma retaliação do promotor local, que havia pedido para a prefeitura dedetizar a sua casa. O pedido foi negado com parecer do escritório de Furtado Coelho.
— Em vingança, o promotor entra com ação de improbidade.
Procurada, a Oi informou “que rechaça as manifestações descabidas apresentadas”. Furtado Coelho disse que jamais tratou de eleição com a empresa.
— Não há vagas para o STJ pela OAB— alega o candidato.
Realmente, não há previsão de aposentadorias compulsórias no STJ nas vagas que são indicadas pela OAB para os próximos três anos, mas os ministros podem deixar o cargo antes do prazo.
Furtado Coelho diz que o seu adversário havia se comprometido a abandonar a candidatura para a formação de uma chapa de consenso e que depois descumpriu esse acordo. Em uma reunião realizada depois das eleições das seccionais estaduais, que definiram o colégio eleitoral do Conselho Nacional, Paula Machado teria indicado Souza Neto para secretário-geral na chapa de consenso.
— Até hoje não fui comunicado pelo Dr. Alberto sobre os motivos que fizeram com que ele mantivesse a chapa.
Paula Machado nega que tenha se comprometido a abandonar a candidatura.
— Ele que procurou. Houve uma tentativa (de acordo) sob a promessa dele de que teria um consenso de todas as seccionais. Os fatos depois mostraram que ele não tinha o consenso. Houve uma crise.
O candidato do Paraná afirma que estranha a união entre o seu ex-apoiador e o rival.
— Houve uma união entre acusador e acusado sem que as pessoas soubessem nada sobre o mérito das acusações
Furtado Coelho afirma que a sua principal proposta é buscar o equilíbrio entre a atuação corporativista e institucional da OAB. Paula Machado pretende implantar uma política de defesa das prerrogativas dos advogados.
URL: http://glo.bo/WkmU3R
Notícia publicada em 25/01/13 - 8h34 Atualizada em 25/01/13 - 9h52 Impressa em 27/01/13 - 19h52
As duas chapas que concorrem à diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) têm, entre seus integrantes, réus em ações de improbidade administrativa.
Atual secretário-geral do órgão, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, disputa com o vice-presidente, Alberto de Paula Machado, o comando da entidade que representa os 750 mil advogados do País. As eleições ocorrem no dia 31.
Eleições - Lula, e OAB querem mudar financiamento de campanha já para 2014
Coêlho é acusado pelo Ministério Público de ter sido contratado, sem licitação, pela Prefeitura de Antônio Almeida, no interior do Piauí, para representar a cidade em ações judiciais, mas não ter prestado serviço algum.
A Promotoria argumenta que o então prefeito, Alcebíades Borges do Rêgo (PSDB), contratou Coêlho para defendê-lo em ações de cunho particular, na área eleitoral, mas o remunerou com recursos públicos - R$ 4,2 mil mensais, por dez meses.
Antes de ser contratado pelo poder público, em 2009, Coêlho foi advogado eleitoral de Borges de Rêgo durante a campanha do ano anterior. O ex-prefeito acabou cassado em 2011 por abuso de poder econômico naquela campanha.
Coêlho nega as acusações. Afirma que prestou consultoria ao município e que o valor recebido seria baixo. Parte de seu patrimônio chegou a ser bloqueado pela Justiça, mas a decisão foi revertida. O candidato diz que sofre "perseguição" do Ministério Público de Antônio Almeida.
O MP promoveu duas ações contra Coêlho, nas esferas civil e criminal. A Justiça do Piauí rejeitou a denúncia penal, mas a ação civil ainda aguarda julgamento. Coêlho também é suspeito de conluio com o desembargador Antonio Peres Parente, do Tribunal de Justiça do Piauí, afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (veja quadro).
Ação penal
Na chapa oposta, o candidato a diretor-tesoureiro de Alberto Machado, o advogado Ercílio Bezerra de Castro Filho, também é réu por improbidade administrativa, em ação penal que tramita na Justiça de Tocantins (TO).
Castro Filho, atual presidente da OAB-TO, foi acusado pelo Ministério Público de envolvimento em um esquema que teria desviado R$ 1 milhão da Unirg, uma fundação municipal da cidade de Gurupi, interior doTocantins.
A promotoria afirma que o ex-presidente da Unirg, Ezemi Nunes, contratou os serviços de Castro Filho sem licitação. Pelo contrato, o advogado receberia, a título de honorários, um porcentual de 10% sobre o valor recuperado em cada ação judicial.
Castro Filho afirma que sua situação é diferente da de Coêlho. "Eu efetivamente prestei um serviço". Ele obteve o cancelamento de um débito da Unirg com o INSS no valor de R$ 12 milhões, o que o credenciaria a receber R$ 1,2 milhão em honorários.
O Ministério Público recorreu à Justiça e conseguiu suspender o pagamento e bloquear R$ 8 milhões do patrimônio de Castro Filho. Assim como Coêlho, ele também alega sofrer perseguição dos promotores locais.
CNJ
O futuro presidente do Conselho Federal da OAB comandará a nomeação de dois novos integrantes do CNJ. O mandato dos dois advogados que hoje participam do conselho - Jorge Helio e Jefferson Kravchychyn - se encerra em meados de 2012.
Ambos já foram reconduzidos ao cargo uma vez e deverão ser substituídos por novos nomes.
Candidato à OAB é réu em processo de improbidade no Piauí
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
Atualizado às 18h24
Um dos candidatos à presidência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, é réu em processo por improbidade no Piauí.
Ele é acusado de ter recebido R$ 42,3 mil do município de Antonio Almeida (a 400 km de Teresina) sem ter prestado os serviços correspondentes.
O advogado chegou a ter os bens bloqueados, medida que foi revertida na segunda instância da Justiça.
Furtado Coêlho diz que seu escritório prestou os serviços pelos quais foi contratado e que é vítima de perseguição de um promotor (leia texto abaixo).
Na ação, iniciada em 2009, o promotor Vando da Silva Marques relata que o escritório de Furtado Coêlho foi contratado pela prefeitura, mas prestou serviços privados ao prefeito, acusado de compra de votos e abuso de poder econômico na campanha para a prefeitura em 2008.
O prefeito, o tucano Alcebíades Borges do Rego, acabou cassado em 2011 pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí devido às acusações.
"Assim resta claro e evidente que houve contratação simulada do escritório de advocacia", escreveu o promotor na ação civil.
O escritório de Furtado Coêlho foi contratado sem licitação para prestar consultoria --não somente na área jurídica-- à prefeitura.
O promotor afirma que essa medida feriu a lei das licitações e que a generalidade do contrato é inusual, já que o escritório é especializado em direito eleitoral.
O promotor incluiu na ação certidão da secretaria judicial do município, segundo a qual o escritório de Furtado Coêlho não havia prestado nenhum serviço jurídico à prefeitura até outubro de 2009.
O advogado enviou outra certidão à Folha, de novembro de 2010, no qual seu escritório aparece atuando em oitos processos em defesa de Antonio Almeida.
Furtado Coêlho foi professor da Universidade Federal do Piauí e é especialista em direito eleitoral.
Tem quatro livros publicados e atuou na primeira cassação de um governador --a de Mão Santa (PMDB), por corrupção eleitoral, em 2001.
Ele também trabalhou na defesa de Roseana Sarney (PMDB) no processo que resultou na cassação do então governador Jackson Lago (PDT) por compra de votos, em 2009. Seus adversários o acusam de ligação com o senador José Sarney (PMDB-AP), o que ele nega.
Antonio Almeida fica em área de cerrado e tem cerca de 3.000 habitantes. É tão pobre que a presidente Dilma Rousseff presenteou a prefeitura no dia 17 com uma retroescavadeira de R$ 170 mil.
A eleição para a OAB será no próximo dia 31. Furtado Coêlho é considerado o favorito na disputa contra Alberto de Paula Machado.
O candidato à presidência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho
OUTRO LADO
O advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho diz que não tem fundamento a acusação de que seu escritório recebeu da prefeitura de Antonio Almeida (PI) sem prestar serviços. Segundo ele, uma acusação idêntica foi feita contra ele na esfera criminal e o Tribunal de Justiça do Piauí mandou arquivar a ação por considerá-la improcedente. "O arquivamento da ação penal torna prejudicada a ação civil. Você não pode rediscutir na esfera civil o que já foi decidido na esfera penal", afirma. Não há uma jurisprudência sobre essa questão. Furtado Coêlho disse que o contrato com a prefeitura não era só para atuação em processos judiciais. Havia também serviços de consultoria, de acordo com ele. O candidato à presidência da OAB diz que a ação de improbidade foi proposta pelo Ministério Público porque o seu escritório deu um parecer contrário a um pedido do promotor Vando da Silva Marques para que a prefeitura dedetizasse a casa dele, que estaria infestada de aranhas e baratas na época. Para Furtado Coêlho, o valor do contrato com a prefeitura, de R$ 42,3 mil, não faz o menor sentido. "Eu jamais cobraria tão pouco para atuar na área eleitoral. Se fizesse isso, estaria maluco. "O promotor, por meio da Associação Piauiense do Ministério Público, nega perseguição e diz que o serviço de extermínio de pragas foi realizado em sua residência, sem nenhuma negativa. "O promotor Vando ressalta que, em relação à ação que impetrou contra o advogado e seu escritório, atuou tão somente em nome da lei e na defesa do patrimônio publico, como atribuição inafastável do Ministério Público, desconhecendo, portanto, o motivo da alegação de "perseguição" feita pelo advogado", diz nota enviada pela associação em defesa de Marques.
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Felipe Santa Cruz e Wadih Damous, atual e ex-presidentes da OAB/RJ, durante a campanha
A nova diretoria da OAB/RJ (Ordem dos Advogados do Brasil-Seção Rio de Janeiro), presidida por Felipe Santa Cruz, acusou a gestão Octavio Gomes, presidente da entidade entre 2001 e 2007, de ter deixado uma dívida tributária de R$ 331,9 milhões. A OAB/RJ estuda mover uma ação para responsabilizar o ex-presidente e pedir direito de regresso do montante eventualmente pago. Os associados receberam este mês um e-mail de reajuste da anuidade que atribui parte do aumento de 52,8% em sete anos – a inflação seria de 52,3% no período, segundo o IGP-M – à necessidade de arrecadar dinheiro para pagar as dívidas com a Receita Federal. O reajuste atual é de 16,9%, sendo que 0,5% foi acrescentado “pela necessidade de provisionamento para quitação desses débitos herdados de antigas administrações”, segundo a mensagem. O e-mail começava: “Devido ao aumento do custo dos serviços oferecidos aos advogados e à necessidade de reserva para o pagamento de dívidas tributárias de R$ 331,9 milhões deixadas pelas diretorias que estiveram à frente da OAB/RJ em 2005 e 2006, a anuidade deste ano foi corrigida”. Os grupos de Felipe Santa Cruz e de Wadih Damous (presidente entre 2007 e 2012) e o de Octavio Gomes são adversários ferrenhos.
Dívidas tributárias são da CAARJ, segundo procurador-geral da OAB
Segundo o procurador-geral da OAB-RJ, Guilherme Peres, as dívidas de R$ 331,9 milhões se referem a duas execuções fiscais por não-recolhimento de tributos em 2005 e 2006 relativos a plano de saúde próprio da CAARJ (Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro).
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Octavio Gomes diz que não geria a CAARJ, só a OAB, onde teve as contas aprovadas
“Eles não recolhiam (tributos) nem provisionavam. Valeram-se de suposta e controversa imunidade tributária da OAB para não recolher tributos sobre um produto comercial, o plano de saúde. Não provisionar recursos foi uma irresponsabilidade”, afirmou Peres. Octavio Gomes afirmou que era presidente da OAB-RJ, não da CAARJ, que tinha administração independente. Ele nega a existência das dívidas e enviou ao iG a aprovação de suas contas em 2005 e 2006 pela OAB/RJ e pelo Conselho Federal da OAB. Também mandou cópia do protocolo de notificação extra-judicial de Felipe Santa Cruz para retificar a nota, nesta segunda-feira, e disse pretender processá-lo. “A gestão atual, além de inoperante, é mentirosa e leviana”, afirmou. Segundo o procurador-geral, há ainda outras dívidas por “multas milionárias” da ANS (Agência Nacional de Saúde). Houve intervenção da OAB na CAARJ em 2008. Guilherme Peres afirmou que a entidade obteve vitória parcial após recorrer do valor de uma das duas dívidas em execução. Ele estima que o montante possa cair de R$ 240 milhões para a metade, R$ 120 milhões. Segundo o procurador-geral da OAB-RJ, a CAARJ não tem patrimônio suficiente para arcar com o pagamento das dívidas. Peres afirmou que a entidade pretende mover ação contra Octavio Gomes para pedir direito de regresso. “A prioridade agora é a defesa institucional. Ainda não houve o efetivo prejuízo, mas pretendemos pedir direito de regresso”, disse.
Gomes nega ingerência na CAARJ e mostra contas aprovadas em 2005/2006 na OAB
Irritado com as acusações, Gomes disse que “o procurador-geral é desinformado”. Ele afirmou que não deixou nenhuma dívida, mas sim superávit de R$ 4 milhões e R$ 2,9 milhões em caixa, ao fim de sua gestão. “Contra documentos, não há argumentos nem falatório. Quem fala contra a minha honra paga caro, porque não transijo com a minha honra. Eles mesmos aprovaram as minhas contas, em 2006. Deixei a OAB/RJ com as contas em dia, salários de dezembro pagos, sem dívidas. Minhas contas foram aprovadas aqui e no Conselho Federal, com louvor. Deixei R$ 2,9 milhões em caixa e superávit de R$ 4 milhões.”
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Santa Cruz e Wadih comemoram vitória na OAB/RJ
Segundo Gomes, “o atual presidente fez essa nota para justificar o aumento absurdo da anuidade e vem dizer que é débito da OAB”. “Saí da (presidência da) CAARJ em 2000, e ele diz que o débito é da CAARJ, em 2005 e 2006. Ora, a CAARJ tem autonomia financeira e administrativa próprias. A diretoria é eleita junto com a OAB. Tem presidente, vice, secretário-geral, tesoureiro e secretário-adjunto. A OAB só pode intervir com 2/3 do conselho. Entrei hoje com notificação para que retifique essa nota, sob pena de tomar as medidas cabíveis nas esferas cível e criminal. Depois vou entrar com processo por danos morais contra Felipe Santa Cruz.” De acordo com o ex-presidente, a dívida é “factoide”. “A CAARJ não tem fins lucrativos, não pode pagar imposto de renda nem tributos. A União não está cobrando, eles não apresentam nada. Vamos desmoralizá-los.” A assessoria da OAB enviou à reportagem, nesta terça-feira (22), cópias dos mandados de citação das execuções fiscais, no valor total de R$ 331,9 milhões, referentes à CAARJ. Octavio Gomes mandou ao iG cópia de decisão da desembargadora Cláudia Pires Ferreira em que ela determina dá direito de resposta a Gomes por causa de matéria publicada no jornal da categoria, sob pena de multa diária de R$ 500, com limite de R$ 50 mil. “Essa hostilidade é porque são radicais, mas vão tomar ferro! Os documentos comprovam que deixei lucro de R$ 9 milhões e de R$ 4 milhões, em 2005 e 2006, com as contas aprovadas e transitadas em julgado.”
Enviado por luisnassif, qui, 24/01/2013 - 10:37
O jogo dos dossiês não têm limites. É utilizado em qualquer ambiente de disputa política, não apenas nas eleições para o Executivo.
Tomem-se as eleições para a OAB nacional. Numa ponta, a chapa do advogado Marcus VInicius Furtado Coêlho, propondo uma OAB não alinhada com nenhum partido político. Na outra, a chapa da situação, apoiada pelo presidente Ophir Cavalcanti, na qual 4 dos 5 membros endossaram pedido de impeachment contra Lula.
Seleciona-se um dossiê qualquer contra Coêlho, uma pinimba provinciana entre um promotor e ele. O promotor levanta um contrato de valor irrelevante (para um escritório de advocacia), abre ações que não são confirmadas em Segunda Instância, o órgão colegiado que julga os recursos. Não adianta: vira dossiê.
Na outra ponta, o atual presidente da OAB é procurador licenciado do estado do Pará, recebe sem trabalhar há anos e seu escritório presta serviços ao Estado. Ganhou passe livre da mídia porque, ao lado de 4 dos 5 integrantes da chapa da situação, pediu o impeachment de Lula.
Ganhou salvo-conduto.
Da Folha
Serviços foram prestados, afirma advogado
O advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho diz que não tem fundamento a acusação de que seu escritório recebeu da prefeitura de Antonio Almeida (PI) sem prestar serviços.
Segundo ele, uma acusação idêntica foi feita contra ele na esfera criminal e o Tribunal de Justiça do Piauí mandou arquivar a ação por considerá-la improcedente.
"O arquivamento da ação penal torna prejudicada a ação civil. Você não pode rediscutir na esfera civil o que já foi decidido na esfera penal", afirma.
Não há uma jurisprudência sobre essa questão.
Furtado Coêlho disse que o contrato com a prefeitura não era só para atuação em processos judiciais. Havia também serviços de consultoria, de acordo com ele.
O candidato à presidência da OAB diz que a ação de improbidade foi proposta pelo Ministério Público porque o seu escritório deu um parecer contrário a um pedido do promotor Vando da Silva Marques para que a prefeitura dedetizasse a casa dele, que estaria infestada de aranhas e baratas na época. A Folha não localizou o promotor.
Para Furtado Coêlho, o valor do contrato com a prefeitura, de R$ 42,3 mil, não faz o menor sentido. "Eu jamais cobraria tão pouco para atuar na área eleitoral. Se fizesse isso, estaria maluco."
Candidato a tesoureiro da OAB tem bens bloqueados
Candidato a diretor-tesoureiro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional, Ercílio Bezerra de Castro Filho está desde maio de 2012 com seus bens bloqueados pela Justiça de Tocantins em uma ação que responde por improbidade administrativa.
Castro Filho faz parte da chapa do atual vice-presidente da entidade, Alberto de Paula Machado, que disputa a presidência com o secretário-geral da Ordem, Marcus Vinicius Furtado Coelho.
É a primeira vez em 15 anos que existe uma disputa pela diretoria do Conselho Federal da OAB. A eleição será no dia 31, em Brasília.
Castro Filho, que foi presidente da OAB de Tocantins, foi acusado pelo Ministério Público de se envolver em um suposto esquema de desvio de verbas de uma fundação pública de ensino.
De acordo com a Promotoria, o advogado foi contratado ilegalmente para defender a fundação em um processo contra o INSS. O desvio seria de R$ 1 milhão, segundo os promotores do caso.
Segundo Castro Filho, não houve qualquer irregularidade na contratação. O advogado diz que conseguiu para a fundação cancelar um débito de R$ 12 milhões.
Pelo serviço, Castro Filho diz que deve receber R$ 1,2 milhão, valor que, segundo ele, foi homologado em um acordo na Justiça.
"Ninguém consegue decifrar as razões dessa ação. Eu tenho ainda um crédito a receber", diz.
Para ele, a ação é uma perseguição do Ministério Público por ter sido presidente da OAB. "Não vejo outra razão para explicar essa ação."
OUTRO CANDIDATO
Nesta semana, a Folha revelou que o outro candidato, Marcus Vinicius Furtado Coelho, é réu em processo por improbidade no Piauí.
Ele é acusado de ter recebido R$ 42,3 mil do município de Antonio Almeida (a 400 km de Teresina) sem ter prestado os serviços correspondentes.
O advogado chegou a ter os bens bloqueados, medida que foi revertida na segunda instância da Justiça.
Furtado Coêlho diz que seu escritório prestou os serviços pelos quais foi contratado e que é vítima de perseguição de um promotor.